<i>Mercado Imobiliário — Tendências</i>

Teto de 12% ao ano, Selic acima de 13% e vigência plena em janeiro de 2027: o novo modelo do SBPE pode deixar o banco mais seletivo — e o comprador que ele recusar vai bater na porta da sua carteira

Por Vinit, em 23/10/2026

Publicado em 19 de outubro de 2026

Teto de 12% ao ano, Selic acima de 13% e vigência plena em janeiro de 2027: o novo modelo do SBPE pode deixar o banco mais seletivo — e o comprador que ele recusar vai bater na porta da sua carteira
O crédito imobiliário com recursos da poupança vive um paradoxo em 2026. De um lado, o volume financiado cresce em ritmo forte. De outro, a própria poupança perdeu dinheiro em quatro meses seguidos, e o desenho do novo modelo de financiamento (o SBPE reformulado) ainda está em ajuste, com vigência plena prevista para **janeiro de 2027**. Para quem toca uma construtora com financiamento direto, o que está em discussão agora em Brasília afeta diretamente quantos compradores vão aparecer pedindo parcelamento próprio no ano que vem.

## O que os números mostram

- **Crédito crescendo:** de janeiro a julho de 2026, o SBPE financiou R$ 115,5 bilhões (aquisição e construção), contra R$ 84,8 bilhões no mesmo período de 2025, alta de cerca de 36%. As unidades financiadas somaram 337,8 mil, 37% acima de um ano antes (CBIC, a partir de dados da Abecip).
- **Julho, recorde:** R$ 20,96 bilhões liberados e 57,9 mil imóveis financiados, o melhor mês da série histórica segundo a Abecip.
- **Poupança em saída:** em setembro, a captação líquida foi negativa em R$ 6,19 bilhões (Banco Central). Entre junho e setembro, foram quatro meses no vermelho, somando R$ 24,05 bilhões de saída líquida. No ano, o déficit é de R$ 53,22 bilhões.
- **Saldo estável, mas pressionado:** a poupança fechou setembro com R$ 755,80 bilhões.

Ou seja: o banco emprestou mais do que nunca, com uma fonte de recursos que não está crescendo. A conta fecha porque o novo modelo amplia a captação de mercado. É essa transição que ainda tem arestas.

## As regras em discussão

O modelo, lançado pelo governo em 2025, reduz a dependência da poupança e abre espaço para instrumentos do mercado de capitais. Dois pontos concentram a negociação:

- **Teto de juros de 12% ao ano** nas operações do SFH.
- **Alocação mínima de 80%** dos recursos ao financiamento habitacional nas condições do SFH.

Segundo reportagem do Valor Econômico reproduzida pelo Portas, as regras foram pensadas num cenário em que a Selic cairia para perto de 12% até o fim de 2026. Isso não aconteceu: ela segue acima de 13%. Executivos de grandes bancos disseram que o teto pode restringir a oferta nesse ambiente, e o diretor de regulação do Banco Central reconheceu que a alocação mínima de 80% é um desafio e que o modelo segue em reavaliação durante os testes.

Do lado das construtoras, a CBIC levou ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central, em 29 de setembro, quatro propostas: manter o teto de 12%, ampliar a transparência dos dados, estender o período de testes até o fim de 2027 e elevar de 80% para 90% o direcionamento ao financiamento residencial, o que, pela estimativa da entidade, acrescentaria R$ 75 bilhões em crédito para imóveis de até R$ 2,25 milhões. Fazenda e Banco Central dizem que as propostas estão em análise, sem decisão anunciada.

## O que isso significa para a sua carteira

Ninguém sabe ainda como a regra final vai sair. Mas há três cenários plausíveis, e os três chegam ao seu financiamento direto:

1. **O teto fica e o banco racioniona.** Com custo de captação alto e juros limitados, a instituição tende a ser mais seletiva com renda, entrada e perfil. O comprador recusado procura a construtora.
2. **O teto é flexibilizado.** O crédito flui, mas a parcela fica mais cara e parte dos clientes migra para o parcelamento direto, que costuma ter condição negociável.
3. **O prazo de testes é estendido.** A incerteza persiste em 2027, e a construtora que consegue financiar com segurança vira vantagem competitiva na hora da venda.

Em qualquer um deles, o financiamento direto ganha relevância. E o gargalo deixa de ser a venda: passa a ser a capacidade de **administrar mais contratos, de perfis mais variados, com o mesmo time**.

## Onde a planilha cobra a conta

Perfis de crédito mais diversos exigem regras de cobrança mais finas: entrada diferente, prazo diferente, índice de reajuste diferente, balões e intermediárias. Na planilha, cada exceção vira uma fórmula a mais, uma aba a mais, um risco a mais de erro silencioso. E o crescimento de volume transforma o erro raro em erro mensal.

Um sistema construído para o financiamento direto trata essas variações como parâmetro, não como gambiarra: o plano de parcelas, o reajuste, a emissão de boletos, a baixa pelo retorno bancário e a régua de cobrança rodam a partir do cadastro do contrato. Empreendimentos que adotaram sistemas como o Vinit relatam que o esforço de administrar contratos adicionais passa a crescer bem mais devagar do que a carteira, embora os resultados variem conforme o ponto de partida de cada operação.

## Um checklist para antes de janeiro

- **Revise sua política de crédito** para o comprador que o banco pode recusar: entrada mínima, prazo máximo, índice, garantia.
- **Simule a carga:** se a carteira crescer 30% em 2027, quantos contratos por pessoa do financeiro?
- **Audite o cadastro atual.** Contrato com dado faltando hoje é cobrança errada amanhã.
- **Acompanhe a decisão do Conselho Monetário e do Banco Central** sobre o teto e a alocação; ela define o tamanho da sua demanda.

## Conclusão

O novo SBPE pode ampliar o crédito bancário ou torná-lo mais seletivo. Em ambos os casos, quem tem a carteira organizada decide melhor quem financiar e financia mais rápido. Se você quer conhecer um sistema desenhado para o dia a dia do financiamento direto, conheça o ERP Vinit em [vinit.com.br](https://www.vinit.com.br/).

## Fontes

- Portas — [Poupança do SBPE: saque desacelera em setembro, mas pressiona fonte de financiamento imobiliário](https://portas.com.br/mercado-imobiliario/poupanca-sbpe-saida-setembro/) (Banco Central, 09/10/2026)
- Portas — [Bancos negociam ajuste no teto de 12% do crédito imobiliário com Selic a 14%](https://portas.com.br/dados-inteligencia/projecoes-cenarios/bancos-negociam-ajuste-no-teto-de-12-do-credito-imobiliario-com-selic-a-14/) (19/08/2026, com base no Valor Econômico)
- CBIC — [CBIC leva à Fazenda e ao Banco Central propostas de aprimoramento do SBPE](https://cbic.org.br/cbic-leva-a-fazenda-e-ao-banco-central-propostas-de-aprimoramento-do-sbpe/) (setembro/2026)
- Diário de Pernambuco, com dados da Abecip — [Crédito imobiliário com recursos da poupança bate recorde](https://www.diariodepernambuco.com.br/colunas/diario-imobiliario/2026/09/11723005-credito-imobiliario-com-recursos-da-poupanca-bate-recorde-e-impulsiona-bom-momento-do-mercado.html) (03/09/2026)

*Os cenários descritos são análise editorial, não previsões. O texto não constitui aconselhamento financeiro. Exemplos de ganho operacional não constituem garantia de resultado.*

Comece a Gestão Eficiente da sua Empresa!

Ou deixe seus dados para entrarmos em contato e tirar suas dúvidas!