<i>Mercado Imobiliário — Tendências</i>
O consórcio de imóveis cresceu 43,7% em adesões e o sistema bateu 12,9 milhões de participantes: o seu concorrente não é mais o banco — e ele manda extrato todo mês
Por Vinit, em 18/09/2026
Publicado em 14 de setembro de 2026
Quando um gestor de construtora fala em concorrência pelo crédito do comprador, ele pensa no banco. Caixa, Itaú, Bradesco, Santander. A régua mental é sempre a mesma: se o cliente passa no banco, vai para o banco; se não passa, fica comigo.
Essa régua parou de funcionar em 2026.
Segundo a ABAC, o consórcio de imóveis somou **706,43 mil adesões nos cinco primeiros meses do ano — crescimento de 43,7%** sobre o mesmo período de 2025. O Sistema de Consórcios como um todo chegou a **12,94 milhões de participantes ativos** em abril, recorde histórico, com alta de 11,6% em doze meses. A projeção da própria associação é de **+25% para o segmento imobiliário em 2026**, contra até 11% para o sistema inteiro.
Traduzindo: a modalidade que mais cresce no crédito imobiliário brasileiro hoje não é bancária, não é subsidiada e não passa por análise de score na entrada.
É exatamente o mesmo cliente que senta na sua mesa.
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## Por que isso é problema seu, e não do banco
O comprador do financiamento direto tem um perfil bem definido: renda existe, mas não é comprovável do jeito que o SBPE exige. Autônomo, MEI, prestador de serviço, produtor rural, comerciante. Ele consegue pagar uma parcela mensal, só não consegue provar isso no formato que o banco pede.
Até pouco tempo atrás, esse comprador tinha duas saídas reais: comprar à vista ou comprar parcelado direto com a construtora. Ponto.
Hoje ele tem três. E a terceira cresceu 43,7% em cinco meses.
O consórcio disputa a mesma carteira porque resolve a mesma equação — **parcela mensal sem passar pelo crivo do banco** — com um discurso comercial que qualquer corretor de consórcio já tem na ponta da língua:
- Sem juros (taxa de administração, em geral entre 15% e 20% do crédito, diluída no prazo).
- Sem análise de crédito rigorosa na adesão.
- Parcela previsível, reajustada por índice contratual.
- Fiscalizado pelo Banco Central.
Você pode discordar da comparação — e tem argumentos técnicos para isso, a começar pelo fato de que consórcio não entrega a chave no dia da assinatura. Mas o cliente não decide pelo argumento técnico. Ele decide pelo que consegue enxergar.
E é aí que a conversa fica desconfortável.
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## O que o consórcio entrega ao cliente que a sua carteira não entrega
Pense na jornada de um cotista de consórcio hoje. Ele tem:
- **App com extrato atualizado**, a qualquer hora, sem pedir para ninguém.
- **Saldo devedor e percentual amortizado** visíveis na tela.
- **Prestação de contas periódica**, obrigatória por regulação.
- **Segunda via de boleto** em dois cliques.
- **Comunicação estruturada** sobre assembleias, contemplações e reajustes.
Agora pense na jornada do cliente da sua carteira de financiamento direto. Ele quer saber quanto já pagou e quanto falta. O caminho é:
1. Manda mensagem no WhatsApp do corretor que vendeu (que talvez nem trabalhe mais lá).
2. O corretor repassa para o financeiro.
3. O financeiro abre a planilha, filtra o nome, confere se o reajuste do ano passado foi aplicado, soma na mão.
4. Três dias depois — em uma semana ruim, nove — chega uma resposta em PDF que ninguém consegue auditar.
Não é uma questão de simpatia. É assimetria de produto.
Você está vendendo um contrato de dez anos para uma pessoa que, na esquina, recebe a mesma proposta financeira embrulhada em transparência operacional. A diferença não está na taxa. Está em quem consegue responder "quanto eu devo hoje?" em tempo real.
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## A segunda frente: o contemplado que bate na sua porta
Tem um efeito de segunda ordem nesse boom que quase ninguém na construtora está monitorando.
A ABAC registrou **623,70 mil consorciados contemplados** no acumulado do primeiro quadrimestre de 2026 — alta de 2,6% sobre os 607,81 mil do mesmo período de 2025. Uma parte dessas cartas de crédito não vai comprar imóvel novo — vai **quitar dívida existente**. É um uso consolidado e amplamente divulgado pelas administradoras: usar a carta para liquidar um financiamento em curso.
Ou seja: alguns dos seus clientes vão aparecer, nos próximos meses, com dinheiro na mão pedindo o **saldo devedor para quitação antecipada**.
Isso é caixa entrando. É a melhor notícia possível para uma carteira com inadimplência pressionada.
Só que quitação antecipada tem prazo de validade comercial. A carta de crédito tem regras de utilização, o cliente tem pressa, e a administradora do consórcio exige documentação formal do credor. Se a sua construtora leva cinco dias úteis para produzir um demonstrativo de saldo devedor confiável — com amortização recalculada, juros pró-rata até a data da liquidação e correção aplicada corretamente —, você não está apenas atrasando um processo.
Você está **operando o maior evento de caixa da sua carteira no improviso**.
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## O que dá para fazer nos próximos 90 dias
Nenhuma dessas quatro coisas exige mudar o modelo de negócio. Exige tirar a carteira do arquivo.
**1. Dê ao cliente o que o consórcio já dá.** Portal do cliente com extrato, saldo devedor atualizado, histórico de pagamentos e segunda via. É a funcionalidade de ERP vertical com melhor retorno por real investido, porque resolve dois problemas ao mesmo tempo: a percepção de valor do cliente e as três horas por dia que o seu financeiro gasta respondendo e-mail.
**2. Tenha saldo devedor em tempo real, não sob demanda.** Se responder "quanto falta?" exige trabalho humano, o número não é um dado — é uma opinião recalculada toda vez.
**3. Documente uma política de quitação antecipada.** Qual desconto se aplica, como se calcula a amortização, qual documento você emite para a administradora do consórcio, em quanto tempo. Defina antes de precisar.
**4. Trate a carteira como produto, não como retaguarda.** O consórcio cresceu 43,7% vendendo previsibilidade e transparência — não taxa. A sua carteira tem o mesmo argumento disponível. Ela só não tem a infraestrutura para sustentá-lo.
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## O ponto
O financiamento direto continua sendo o canal mais eficiente para vender ao brasileiro que o crédito bancário não alcança. Isso não mudou.
O que mudou é que ele deixou de ser a única alternativa desse comprador. E o concorrente que apareceu chega com app, extrato mensal e regulação do Banco Central.
Quem administra carteira em planilha não está perdendo a disputa por preço. Está perdendo por transparência — que é, ironicamente, o problema mais barato de resolver dos dois.
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**O ERP Vinit foi construído especificamente para carteiras de financiamento direto de construtoras, incorporadoras e loteadoras:** saldo devedor recalculado em tempo real, portal do cliente com extrato e segunda via, simulação de quitação antecipada, régua de cobrança automática e controle de inadimplência por contrato.
Se a sua carteira ainda responde "quanto falta para eu quitar?" em dias, e não em segundos, [converse com a equipe da Vinit](https://www.vinit.com.br/).
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## Fontes
- ABAC — Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios: [Sistema de Consórcios em maio/2026 — dados econômicos](https://blog.abac.org.br/drops-de-mercado/sistema-de-consorcios-em-maio-2026-dados-economicos)
- ABAC: [Sistema de Consórcios em abril/2026 — dados econômicos](https://blog.abac.org.br/drops-de-mercado/sistema-de-consorcios-em-abril-2026-dados-economicos)
- ABAC: [Consórcios devem crescer até 11% em 2026, projeta ABAC](https://blog.abac.org.br/drops-de-mercado/consorcios-devem-crescer-ate-11-em-2026-projeta-abac)
- CNN Brasil: [Financiamento ou consórcio: qual vale mais a pena em 2026?](https://www.cnnbrasil.com.br/branded-content/economia/negocios/financiamento-ou-consorcio-qual-vale-mais-a-pena-em-2026/)
- CBIC — Câmara Brasileira da Indústria da Construção: [Vendas de imóveis avançam 5,4% no primeiro semestre e MCMV registra participação recorde](https://cbic.org.br/vendas-de-imoveis-avancam-54-no-primeiro-semestre-e-mcmv-registra-participacao-recorde/)